O mal-estar contemporâneo e os transtornos de ansiedade: aprofundamento psicanalítico sobre a crescente dessa categoria de diagnóstico e sua relação com aspectos culturais da atualidade
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i27.5468Resumo
Propõe-se neste artigo aprofundar, a partir de uma chave de leitura de referencial psicanalítico, como se dá algumas categorizações de sofrimento contemporâneas, centralizadas no psicodiagnóstico dos chamados transtornos de ansiedade. Freud problematiza, por meio de seu conceito de mal-estar, como a forma de adoecer e sofrer psiquicamente está intrinsecamente relacionada com as organizações estruturais da cultura em que o sujeito está inserido. Tendo como embasamento a metodologia de revisão bibliográfica, apoiada em Freud, Birman e Han, além de outros autores em complementaridade, este artigo objetiva mapear noções da subjetividade predominantes da cultura contemporânea, especificamente aquelas que dialogam com as noções categóricas da nosologia dos transtornos de ansiedade. O percurso desta revisão levou a compreender como as modalidades de sofrimento da contemporaneidade, organizadas por Birman em três registros (o corpo, o excesso e a intensidade), se relacionam com os transtornos de pânico, de ansiedade generalizada e de estresse pós-traumático. Tendo como referência essa relação estabelecida, compreende-se, em termos gerais, como essas manifestações de sofrimento ultrapassam os modelos clássicos das neuroses de transferência, relacionada à angústia de castração, para se adequarem a outras categorias clínicas, como as neuroses atuais ou à clínica do trauma.
Palavras-chave: Transtornos de ansiedade. Psicanálise contemporânea. Mal-estar na cultura.